O movimento da redução de juros, que pretende aquecer a economia brasileira com o aumento do consumo, é um bom momento para aqueles que tiverem disposição para negociar com os bancos. Ontem novas taxas mínimas passaram a ser oferecidas pelas instituições bancárias, mas elas só devem chegar na prática para uma parcela dos clientes. No entanto, os especialistas alertam que a situação atual impulsiona a concorrência. Os consumidores devem aproveitar e pesquisar as melhores condições para poder desfrutar das taxas reduzidas.
Paciência e disposição devem ser os aliados de quem pretende se beneficiar com as novas taxas. O executivo e consultor empresarial César Cechinato, que já atuou como diretor de banco, alerta que as taxas anunciadas são as mínimas e devem ser oferecidas para os melhores clientes. No entanto, essas taxas devem influenciar nas que são oferecidas aos demais. A concorrência também deve beneficiar os consumidores. “Os bancos públicos, como o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal e o Banrisul, estão muito competitivos. É um bom momento para negociar as taxas. É importante dialogar com o gerente e se for necessário procurar um novo banco”, explica Cechinato.
No entanto, o consultor alerta para o tipo de crédito acessado pelo consumidor. Na média geral, o cartão de crédito está no topo das dívidas mais caras, com a maior taxa de juros. Em seguida, vem o cheque especial. “Eles devem ser usados em emergências. Mas quem já está endividado, deve procurar o seu gerente e buscar uma operação de crédito com taxa menor e em um prazo que eles possam cumprir”, orienta.
Segundo o diretor da Associação Nacional de Executivos de Finanças (Anefac), Miguel José Ribeiro de Oliveira, os bancos oferecem reduções em alguns tipos de financiamento “em que há mais conforto” para as instituições financeiras. Um exemplo é o crédito consignado, mais seguro por ter as parcelas descontadas da folha de pagamento. Já no caso do financiamento de carros, para conseguir a taxa mínima é preciso dar entrada de 50% do valor do veículo e financiar o saldo em 12 meses. “Poucos brasileiros conseguem isso”, diz Oliveira.
No mercado a expectativa é de que as reduções anunciadas recentemente podem ser só o início de um processo de queda mais forte das taxas. Mas alguns fatores, como o fato dos brasileiros conseguirem ou não quitar suas dívidas, devem ser decisivos. “Se a inadimplência aumenta, os bons clientes pagam pelos maus”, afirma Cechinato.
Apesar do momento ser positivo para a negociação, a principal dica é para que os clientes tenham bom-senso. “O juro praticado no Brasil ainda é o mais alto. Ainda temos um longo caminho pela frente”, completa o consultor.
Fonte: www.gaz.com.br/noticia/342088-queda_nos_juros_permite_maior_negociacao.html