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28/12/2019

Vítimas de câncer falam sobre consequências emocionais

O movimento

Outubro é o mês de conscientização do câncer de mama e útero. Milhões de ONGS se movimentam para arrecadar fundos e a mídia faz seu melhor para informar o público deste malefício que atinge inúmeras mulheres. Entretanto, a saúde emocional da mulher após o tratamento e cura é um assunto raramente discutido, mesmo sendo extremamente importante. Não é nenhuma novidade que o corpo é merecedor de cuidados, mas a mente também merece tal atenção. O movimento Outubro Rosa, trata de muitas áreas com relação ao câncer, porém falha ao se preocupar com o emocional.

Ao ser questionada sobre o movimento Outubro Rosa e as consequências emocionais que podem afetar a vítima, Gismone Silva declarou, “Eu já tive amigas que passaram por isso e todo ano ainda passam por aquele medo psicológico ao fazerem o exame anual e se o câncer vai retornar ou não”.

Gismone afirma que deveriam existir fundos para auxiliaras mulheres e, até mesmo os homens, que já alcançaram a cura física, mas ainda necessitam de tratamento psicológico. Ela comenta que esse fundo ajudaria aqueles que não teriam condições de pagar por um psicólogo ou terapeuta. Traumas são difíceis de superar e isso é um fato, por isso todo suporte que esses mártires puderem receber, deveria ser dado sem hesitação.

O Profissional

Os cânceres que atinge as mamas e o órgão reprodutor da mulher preenchem 28% dos casos de câncer a cada ano, segundo o Inca. Isso quer dizer que a cada 10 mulheres com câncer 2,8 mulheres sofrem do câncer de mama ou útero. Essas mulheres passarão por fases difíceis, nas quais seus emocionais serão afetados de maneira radical. Com essa informação em vista, a psicóloga Izabel Cristina de Morais foi questionada sobre o estado emocional de pacientes que foram vítimas de um desses tumores.

Izabel comenta que 90% dos pacientes passam por um estado de negação e muitas vezes acumulam sentimentos negativos, “...o trabalho do psicólogo gira em torno de identificar pensamentos que estão trazendo emoções negativas e ruins a respeito do tratamento e como os pensamentos influenciam nossas emoções e comportamentos”.

Felizmente, o apoio dado pelo profissional, se feito corretamente gera resultados positivos. Izabel conta como muitos de seus pacientes relatam ter colhido boas experiências após o tratamento e como muitos deles passaram a ver a vida de maneiras diferentes. “Relatam estarem mais maduros psicologicamente e buscam levar a vida com mais gratidão, leveza e calma!”, ela comenta.

 

A Vítima

De fato, as sequelas emocionais são diversas e variam de vítima para vítima. Não é possível compreender o peso emocional de passar por uma situação de crise tão avassaladora como a descoberta de um câncer, muito menos imaginar as repercussões que tal doença pode causar no corpo e mente da vítima.

Gina Alberti, mulher de 58 anos que venceu a luta contra o câncer fala um pouco sobre sua experiência e como sua vida foi transformada, “Isso afetou imensamente minha autoestima e a forma de ver a vida. Meus valores se voltaram para o altruísmo e percebi que a vida é como uma montanha-russa. É pavorosa as vezes, mas no final você sempre se diverte”. Ela bravamente comenta como seu corpo não é mais o mesmo e sem dúvida um pouco deformado pela cirurgia, porém se mantém positiva, “A consequência permanente foi a cura do câncer”.

São casos como o de Gina que encorajam movimentos, como Outubro Rosa, a se manterem firmes em seu objetivo de conscientização às mulheres e apoio as vítimas.

Não encare o câncer como um inimigo. Ele é só mais um obstáculo a ser vencido. Ele tem o poder de nos fazer enxergar além de nós mesmos. Enxergar além do que até então você conseguia ver”. Este é o conselho de Gina para aqueles que estão passando pela mesma situação que ela passou. Ao final, reforça que “a desesperança é o maior inimigo de uma vítima”.

 

Fonte: Assessoria de Imprensa