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...fui motivado a abrir meu baú
22/05/2013

Aposentado vira escritor aos 79 anos

Até os seus 70 anos, o mineiro Jugurta de Carvalho Lisboa era somente um eletricitário viúvo, pai de cinco filhos, que jamais considerou se aventurar em uma nova profissão. Nove anos e um novo casamento depois, ele prepara-se para estrear como escritor com o lançamento do livro “Do Fundo do Baú”. Tudo começou no final de 2004, quando mudou-se do Rio de Janeiro para Ribeirão Preto e casou-se com a escritora, poeta e crítica literária Ely Vieitez Lisboa.

“Minha esposa sempre disse que minha vida é um verdadeiro arquivo de fatos que não podem permanecer na prateleira e expostos à efemeridade do tempo. Assim fui motivado a abrir meu baú”, conta.

A coragem veio aos poucos, no dia a dia, convivendo com as atividades literárias de Ely. “Passei a participar de seu trabalho digitando tudo o que ela produzia. Assim comecei a tomar gosto pela literatura e, movido pelo seu incentivo, escrevi os primeiros textos sob forma de ‘Literatura Testemunhal’.”

Lisboa descobriu assim, próximo dos 80 anos, que não existem barreiras ou prazo de vencimento para novas descobertas. Diz ter encontrado na terceira idade outros horizontes que o conduziram à reformulação de hábitos, antes tão voltados para coisas práticas.

Mundo sem volta

“Do Fundo do Baú” ‘e composto por 40 contos relacionados à história de vida de Lisboa. Todas as tramas são regionalistas e se passam entre Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, por onde o autor fez pousos e decolagens ao longo de sua vida. Nelas descreve o convívio muito estreito com a natureza durante a infância e a adolescência, que passou em aventuras, pescando e nadando em rios.

“Eu desafio o tempo e vou fundo no meu baú buscar fatos ocorridos na minha infância com riqueza de detalhes que às vezes até me espanta. Nesse livro estão contidas histórias tragicômicas, hilariantes, inusitadas, sociais, líricas, de aventuras”, descreve.

Seu texto preferido é “Vida de Garimpeiro”, que encerra o livro. “Porque resgato memórias da minha infância que estão diretamente relacionadas com meu pai. Escrevi este texto com a intenção de prestar um tributo ao senhor Antônio Lisboa e ao Vergílio, seu fiel companheiro de garimpo”, diz, traindo a emoção.

Depois de terminar o livro, ele continuou a produzir crônicas, que são publicadas em revistas e nas antologias “Ponto & Vírgula”. “Após ter sido picado pela ‘Mosca Azul’ da inspiração literária, sinto que entrei em um mundo sem volta.”



Fonte: coisadevelho.com.br/?p=11801