Muitos dos alimentos que compõem o seu cardápio diário já tiveram seu momento de má fama: ovo, chocolate, café. Outra vítima do preconceito alimentício é a carne vermelha, que já foi responsável pelo aumento do colesterol e, consequentemente, de doenças como o infarto e o derrame. Embora não seja o tipo de carne mais saudável, a carne vermelha traz, sim, benefícios importantes para a saúde. Alta concentração de proteínas, vitaminas e minerais são alguns dos itens que fazem com que esse alimento não seja um vilão para a sua saúde.
Quem nunca ouviu dizer que comer carne vermelha faz mal à saúde que atire a primeira pedra. Durante muito tempo, consumir o alimento – tão presente nas refeições e churrascos de final de semana – foi considerado extremamente prejudicial. De acordo com o médico nutrólogo e presidente da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN), Durval Ribas Filho, "durante muito tempo a gordura saturada foi considerada vilã para o coração, e a carne vermelha normalmente tem uma boa quantidade de gordura saturada. Mas essa fama já deveria ser passada, pois a carne vermelha, quando ingerida em até 500 gramas por semana, não demonstrou efeitos maléficos ao organismo humano".
Assim como todos os alimentos que já foram considerados vilões do organismo, como o ovo e o café, a carne vermelha também é fonte de diversos nutrientes indispensáveis para o bom funcionamento do corpo humano. "A carne vermelha contém alta concentração de proteínas de alto valor biológico, ou seja, grande quantidade e diversidade de aminoácidos. Também possui o ferro heme, que tem boa biodisponibilidade e é excelente para tratamento de anemias ferroprivas (causadas pela deficiência do ferro), além de boa concentração de vitamina B12. Por isso, com moderação, a carne vermelha pode ser consumida diariamente sem problemas", garante Durval.
Na lista das carnes vermelhas também entram as carnes processadas. Alimentos sempre presentes no nosso café da manhã e aperitivos de final de semana devem ser consumidos com cuidado. Segundo Durval, "carnes como linguiça, salsicha, salame, mortadela, presunto e bacon possuem alta concentração de conservantes e sódio, que causam efeitos negativos à saúde. Porém, nada é proibido, mas é preciso ter atenção com os excessos. A carne vermelha, quando bem escolhida - sem a presença de antibióticos e hormônios -, assada ou grelhada, contribui para o fornecimento adequado das necessidades proteicas de todas as células do corpo humano".
Para obter o máximo de benefícios da carne vermelha e manter distância dos malefícios, existem algumas dicas simples de como ela deve ser consumida. "A opção deve ser dada aos chamados cortes magros, com menos gordura aparente. Além disso, o consumo ideal é da carne considerada ‘ao ponto’, pois a parte tostada na brasa é rica em substâncias nocivas à saúde, expondo o indivíduo a doenças como parasitoses. Trabalhos mostram que a crosta escura que se forma quando a carne é muito assada é prejudicial à saúde humana, pois libera substâncias consideradas cancerígenas, que são as aminas heterociclicas", ensina o médico nutrólogo.
Independentemente da carne que se escolha para compor a refeição, o importante é procurar sempre manter uma dieta equilibrada, com consumo de carne vermelha e de peixe, frutas, legumes e verduras, que irão garantir a saúde e o bem estar em qualquer idade. Durval diz que "não há restrição de consumo da carne vermelha para pessoas com mais de 50 anos de idade, desde que não passe de 500g por semana e faça parte de uma dieta equilibrada. A dieta ideal é aquela feita por um médico nutrólogo, que irá considerar idade, sexo, rotina de atividades físicas, estado nutricional, etc., garantindo que ela atenda às necessidades daquele indivíduo".