Aos 50 anos de idade, a maioria das mulheres já é mãe. Aliás, mãe de filhos crescidos, adultos. Mas e quando as atribulações da vida, a falta de um parceiro ideal, os intermináveis compromissos com estudos, carreira e, às vezes, até problemas de saúde atrapalham esse sonho? Algumas mulheres já estão chegando a essa altura da vida sem filhos ou até com filhos criados e adultos, mas ainda com muito amor de mãe para dar. Fertilização in vitro, congelamento e até doação de óvulos são alternativas que a Ciência oferece para a mulher de 50 que ainda sonha com a maternidade.
A idade das novas mamães está aumentando cada vez mais. O Ministério da Saúde (MS) afirma que a maioria delas já tem mais de 30 anos de idade e realizam quase 27% dos partos. Seguindo essa tendência, algumas mulheres podem acabar esperando tempo demais. De acordo com o ginecologista-obstetra especialista em medicina reprodutiva Arnaldo Schizzi Cambiaghi, "não ter encontrado o homem ideal antes, ter tido filhos anteriores que já cresceram ou partiram, nunca ter casado. Muitas coisas podem fazer com que a mulher queira engravidar tardiamente, mas uma coisa é certa: o desejo de ter filhos é algo inato, que todas as mulheres têm".
Outra possibilidade é um segundo casamento, como é o caso da aposentada Suely Menezes Falcão, que teve sua última filha aos 52 anos de idade com o marido Izaías Falcão, de 58. "Eu tive três filhos no meu primeiro casamento e meu marido também. Depois de dez anos casada, nossos filhos se casaram e nós ficamos sós, foi quando decidimos ter mais um bebê, nosso. Optamos pela adoção de duas crianças, fizemos todo o processo burocrático e nada. A demora foi o que nos fez decidir ter o nosso próprio filho, mesmo tardiamente. Foi então que encontramos o Instituto Paulista de Ginecologia e Obstetrícia (IPGO). Eu estava quase na menopausa, mas fiz todos os exames e, através da técnica da fertilização in vitro, engravidei já na primeira tentativa", relata a mamãe.
Sem o apoio das técnicas de fertilização, ser mãe a essa altura da vida é praticamente impossível. Arnaldo, que também é diretor do IPGO, explica que "após os 35 anos de idade, a fertilidade da mulher cai drasticamente. É uma em milhares que consegue engravidar naturalmente. A opção da mulher que quer engravidar a essa idade é procurar um especialista em reprodução, que indicará qual técnica é mais adequada para ela. Se ainda não estiver na menopausa e quiser tentar uma gravidez objetiva, pode tentar uma estimulação ovariana e inseminação artificial, que ajuda, mas tem resultados baixos. Outra opção é a fertilização in vitro – fertilização do óvulo da mulher pelo espermatozoide do homem feito em laboratório e inseminado no útero dela – que tem resultados mais objetivos. Se ela já tiver entrado na menopausa, a única saída é a doação de óvulos".
Apesar de engravidar aos 50 ser um sonho possível graças aos avanços da Medicina, Arnaldo explica que, para tudo, há um limite. "É razoável que a mulher possa engravidar até os 55 anos de idade. Depois disso, o risco de a gravidez ser prejudicial para a sua saúde e do bebê é muito grande. Ela deve ter todos os exames em dia, fazer avaliação clínica com o ginecologista antes de tentar engravidar. Ela tem que ter consciência que, em mulheres mais velhas, a chance de abortamento, má-formação cromossômica é menor e a de resultados positivos, consequentemente, é menor. Mas, se ela estiver saudável e com um pré-natal bem controlado, os riscos são consideravelmente menores", garante.
Muitas mulheres acham que, depois de certa idade, não terão mais "pique" para criar um filho e, por isso, desistem da ideia de ser mãe. No entanto, as vantagens existem e são inúmeras. Suely diz que "a maior vantagem de ser mãe a esta idade, no meu caso, é que já possuo aposentadoria integral, tenho estabilidade e todo o tempo do mundo para minha filha. Ela já nasceu com a estabilidade financeira da mãe. É claro que temos que sonhar e realizar nossos sonhos, mas devemos pensar também que a criança terá pais idosos e poderá perdê-los mais cedo do que suas coleguinhas. No entanto, acredito que temos que viver cada dia da melhor maneira possível, pensando positivamente e curtindo dia a dia os nossos filhos".
Fonte: www.maisde50.com.br/editoria_conteudo2.asp?conteudo_id=8739